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Parapan não atenua más condições de acesso no Rio
Usuários de cadeira de rodas presentes nos Jogos Parapan-Americanos criticam falta de ônibus adaptados no sistema de transporte da cidade.
Inserida em 18/8/2007
Reportagem: Claudia Gisele
Foto: Claudia Gisele
Vilma Miranda saiu de São Paulo para assistir ao Parapan e não encontrou transporte adaptado na rodoviária carioca
A presença de pessoas com deficiência nas platéias do Parapan é frequente. Entre elas, um dos temas mais discutidos é a boa qualidade de acessibilidade nos estádios. No entanto, os comentários não ficam nos elogios, já que as pessoas se mostram indignadas com o sistema de transporte coletivo da cidade. "Quem vem aqui tem a impressão que é tudo maravilhoso e que a cidade é super acessível, mas não é assim", afirma o atendente Bruno Matzke, de 29 anos, que ficou paraplégico após levar um tiro, há onze anos. "O evento está mascarando a real situação de acessibilidade daqui".

A atleta de basquete em cadeira de rodas Vilma Miranda, de 40 anos, viajou de ônibus de São Paulo para o Rio de Janeiro e comprovou a inacessibilidade do transporte público carioca. Na rodoviária do Rio, ela precisou da ajuda de outros passageiros para conseguir entrar em um ônibus. "Não havia nenhum adaptado", conta. Seu destino foi a Arena Multiuso, onde acontecem os jogos de basquete. Confirmando a impressão de outros cadeirantes, ela aprovou a acessibilidade em todos os ambientes da Arena, mas, ao ir embora, preferiu contar com a carona de uma amiga.

"Táxi e ônibus adaptado é coisa rara no Rio", afirma o vendedor ambulante Eduardo da Costa, de 36 anos, que há 16 anos ficou paraplégico. "Até hoje, encontrei ônibus adaptado apenas duas vezes. Em uma delas fui tão mal atendido que caí do elevador".

O Rio de Janeiro possui uma frota de 8.000 veículos para servir o transporte público. Entre eles, apenas 46 são adaptados para pessoas com deficiência, segundo informações da Secretaria Municipal de Transportes. Os ônibus compõem o que a prefeitura chama de Rede Básica de Transporte por Ônibus, que é a garantia de um ônibus adaptado por linha. Acontece que o sistema está na contramão do que é exigido pela Lei Federal 10.098/00, que estabelece normas e critérios para promoção de acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida (idosos e obesos). A Lei exige que todos os veículos de transporte coletivo tenham condições de receber, com segurança, todos os usuários.