25 de outubro de 2014
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Inserida em: 20/11/2001

Surdocegueira

Por Ana Maria de Barros Silva


O conhecimento sobre a surdocegueira vem despertando um crescente interesse nos meios educacionais e de saúde. Muitos fatores tem contribuído para esse despertar. Alguns deles se destacam pela influência que vem exercendo em todo o processo de desenvolvimento da área:

  • A mobilização dos deficientes em geral, na busca por seus direitos como cidadãos, organizando-se em Associações e buscando espaço na imprensa através das artes, esporte, assim como capacitando-se cada vez mais para estudo e trabalho.
  • As famílias empenhadas em conhecer os recursos de saúde e educacionais para seus filhos ao invés da aceitação passiva de suas limitações.
  • A legislação sobre "inclusão", que vem trazendo a presença de crianças especiais nas classes do ensino comum, provocando necessidade de novos conhecimentos para os profissionais que os atendem.
  • A eficiência dos diagnósticos diferenciais facilitando os encaminhamentos para a Educação e o trabalho integrado entre Educação e Saúde.
  • Os setores educacionais cada vez mais aptos e preparados para o atendimento às pessoas com necessidades especiais.
  • Todo esse conjunto de dados veio beneficiar uma série de outras "necessidades especiais" que até o momento não haviam recebido a devida atenção, entre elas a surdocegueira.

    O QUE É A SURDOCEGUEIRA
    Podemos considerar que existem dois grandes grupos de surdocegos com características diversas:

    SURDOCEGO PRÉ-LINGUÍSTICO - São aqueles que adquiriram a surdocegueira antes da aquisição de uma linguagem, seja oral ou gestual. Poderíamos dizer que o surdocego pré-linguístico é "aquele indivíduo que por uma combinação de distúrbios visuais e auditivos, pode vir a isolar-se de tal forma do meio ambiente, fugindo também da interação pessoal, o que faz surgir graves problemas de desenvolvimento global, sendo o mais importante deles o da comunicação".

    SURDOCEGO PÓS-LINGUÍSTICO - São aqueles que adquiriram a surdocegueira após a aquisição da linguagem, seja oral ou gestual. Poderíamos dizer que o surdocego pós-linguístico é "o indivíduo que adquiriu deficiências visuais e auditivas, numa tal combinação, que lhe trazem dificuldades de comunicação, locomoção e outras dificuldades para sua vida diária, quer seja na família, no estudo e em sua integração social; sendo que o mais importante inicialmente, será a escolha da nova forma de comunicação".

    CAUSAS DA SURDOCEGUEIRA

    Origem genética - Síndrome de Usher , Associação Charge

    Origem pré-natal - Rubéola Materna, Toxoplasmose, Drogas teratogênicas, Incompatibilidade sanguínea

    Lesões neo-natais - Prematuridade, Anóxia, Drogas ototóxicas

    Adquiridas - Infecções: Meningite, Sarampo, Otites Graves, Sífilis

    Outras - Acidentes, tumorações, etc.

    Causas mais freqüentes - De todas essas, a mais freqüente causa da Surdocegueira pré-linguística é a rubéola materna, até o quarto mês de gravidez. A rubéola é a responsável pela maioria dos casos de surdez, mas também é possível que a criança, ao nascer, apresente catarata congênita, que pode ser corrigida cirurgicamente logo nos primeiros meses de vida. Nesse caso a criança poderá fazer uso da visão mesmo que essa seja considerada visão sub-normal. Se bem estimulada a visão poderá adquirir funcionalidade. Importante que a família seja orientada precocemente em relação a comunicação, para não permitir que a criança se isole.

    Atualmente a Síndrome de Usher tem sido a mais freqüente causa da surdocegueira pós-linguística, que se caracteriza pela perda auditiva congênita ou logo nos primeiros anos de vida e perda visual na adolescência, ou mais tarde, como conseqüência da retinose pigmentar.

    RECURSOS EDUCACIONAIS E SOCIAIS

    Surdocegos Pré-Linguísticos

    Como a principal dificuldade do surdocego Pré-Linguístico é a Comunicação, tem sido desenvolvidos métodos especiais na abordagem desse indivíduo com características específicas. Se bem que o objetivo final seja o domínio da Língua dos Sinais, por ser a surdez a sua deficiência mais grave, se iniciará com um diálogo corporal com referências táteis, que antecedem a linguagem gestual.
    Nos casos de melhor prognóstico, quando houver visão funcional e domínio da Língua dos Sinais, haverá a possibilidade de participação num programa educacional para surdos. O suporte técnico a essa metodologia tem sido patrocinado através de cursos, pelo Programa Hílton /Perkins para a América Latina, dos U.S.A. e SENSE The National Deaf-Blind and Rubella Association, da Inglaterra.

    Surdocego Pós-Lingüístico

    O Surdocego Pós-Linguístico, que já havia dominado uma linguagem e se vê surpreendido pela dupla deficiência, tem uma série de dificuldades a vencer.
    Em primeiro lugar terá que adaptar-se a uma nova forma de comunicação. Existem várias sugestões, que vão abaixo relacionadas, mas a escolha será uma opção pessoal. Cada indivíduo irá buscar um sistema que melhor se adapte às suas condições e preferências. Será necessário urn suporte técnico a esse indivíduo e sua família, uma vez que surgirão barreiras, que parecerão intransponíveis em todos os setores da sua vida. Nesse momento surge a necessidade de um guia intérprete que o acompanhe e o informe sobre o que ocorre a sua volta.

    A ONCE - ORGANIZACION NACIONAL DE CIEGOS DE ESPAÑA, ULAC - UNIÃO LATINO AMERICANA DE CEGOS e POSCAL - PROGRAMA DE CRIAÇÃO DE ORGANIZAÇÃO PARA PESSOAS SURDOCEGAS, tem oferecido suporte, sob várias formas para o atendimento ao Surdocego, suas famílias e profissionais dessa área.

    A FENASCOL - FEDERAÇÃO NACIONAL DE SURDOS DA COLÔMBIA em parceria com a SHIA - ASSOCIAÇÃO SUECA DE SURDOCEGOS, preocupados com a necessidade de intérpretes para surdocegos, estará patrocinando um Treinamento para voluntários que queiram atuar com o surdocego. O primeiro módulo realizar-se-á em outubro deste ano em São Paulo.

    O SURDOCEGO BUSCA SEU ESPAÇO
    Atualmente várias Instituições vêm se dedicando, com exclusividade ou não, no atendimento ao Surdocego dos dois grupos: Surdocegos Pré e Pós-Linguísticos.
    A rnobilização entre os próprios surdocegos, que hoje estão conscientes de sua capacidade e de seus direitos como cidadãos; unindo forças com seus familiares e profissionais, seguros do apoio internacional, vem criando Associações e movimentos com o objetivo de divulgar a Surdocegueira, suas implicações educacionais, de trabalho e de adaptação social.

    ABRASC - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SURDOCEGOS, recém-fundada, vem contatando Surdocegos de todo o país para lutarem juntos pela melhoria de vida do surdocego adulto. Presidida por Cláudia Sofia Indalécio Pereira, líder surdocega do Brasil. Essa Associação estará se reunindo, para aprovação de seus estatutos em S. Paulo, em março de 99. A principal meta do grupo é localizar os Surdocegos pelo Brasil, e planeja sediar o VI° SEMINÁRIO P.O.S.C.A.L., que reunirá Surdocegos da América Latina.

    Outros grupos estão se organizando como o Grupo de Pais de Surdocegos e Múltiplos Deficientes Sensoriais e o Grupo Brasil - de Apoio ao Surdocego e Múltiplos Deficientes Sensoriais, que, está reunindo profissionais pais e surdocegos, e já promoveu dois Encontros de âmbito nacional, sendo que o último reuniu em S. Paulo, em novembro de 1998, cerca de cem (100) pessoas, para debates e palestras, com a participação de autoridades jurídicas e especialistas na área da Surdez, Cegueira e Surdocegueira.

    DIFERENTES FORMAS DE COMUNICAÇÃO
    TADOMA - Percepção da fala através do tato.
    Tellethouc - Máquina de datilografia comum, e teclado em braille, com uma "sela" para a recepção em braille por parte do surdocego.
    Libras - A Língua dos Sinais colocada nas mãos do Surdocego.
    Alfabeto Manual dos Surdos -Colocação das letras do alfabeto em uma das mãos do surdocego, que poderá estar espalmada para cima ou voltada para baixo.
    Placa em Braille - Contém os caracteres em braille e em letras de imprensa, para serem apontadas para o surdocego com o indicador.
    Escrita - Segurando no dedo indicador do surdocego o intérprete irá desenhando num apoio (mão, mesa), as palavras em letra cursiva ou de forma.

    Obs. As palavras surdocego e surdocegueira têm sido grafadas propositadamente dessa forma, que é um neologismo criado em comum acordo entre as Instituições afins, com o objetivo de esclarecer definitivamente, que trata-se da mesma pessoa com a dupla deficiência: Surdocegueira.

    Ana Maria de Barros Silva, é sócia fundadora da ADefAV - Associação para Deficientes da Audio Visão, pedagoga especializada em Surdocegueira pelo Programa Hilton/Perkins para a América Latina.

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