24 de julho de 2014
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Educação

Inserida em: 1/6/2009



Ariane Massicano: é um privilégio trabalhar com alunos com deficiência
Foto: Divulgação
Surdocegueira

Um dos grandes desafios da inclusão é tratar todos em igualdade de direitos a educação valorizando a diversidade no sentido em que cada um possa contribuir em sua especificidade. Nessa perspectiva, não seria diferente quando o trabalho é com relação a inclusão do surdocego e múltiplo deficiente sensorial. "Deve-se partir de uma questão central que é a de definir com clareza que inclusão está sendo focalizada e qual o tipo que propiciaria as crianças com necessidades especiais maiores benefícios para seu desenvolvimento e bem estar", diz a professora de educação especial da rede Estadual de Ensino Ariane Cristina de Mello Massicano.

Ariane é formada em pedagogia com licenciatura plena pela Faculdade de Educação, Ciências e Artes Dom Bosco (FAECA) de Monte Aprazível, interior de São de Paulo. Fez especialização em Habilitação no Magistério de Deficientes Mentais pela Faculdade Auxilium de Filosofia, Ciências e Letras (FAL) de Lins (SP) e Pós-graduação em Formação de Educadores para Portadores de Deficiências Sensoriais (Mental, Auditiva, Visual e Física), Múltiplas Deficiências e Surdocegueira pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), em São Paulo.

Trabalhando cerca de quatorze anos em educação especial, passando por todas as áreas e modalidades existentes, Ariane é professora de sala de recursos na Rede Estadual de Ensino - Escola.Estadual Dr. Waldemiro Naffah, de São Jose do Rio Preto (SP), faz atendimento clínico-pedagógico especializado em clínica, dá aula no curso de pós-graduação em Educação Especial e Inclusiva, da Faculdade de Educação, Ciências e Artes Dom Bosco de Monte Aprazível/SP e em cursos de capacitação e formação de professores através de empresas de consultoria com cursos na área de educação especial em vários municípios.

Com todos esses anos de experiência Ariane conta que se sente privilegiada por trabalhar com pessoas de todos os tipos de deficiências. "Acredito em novas possibilidades de intervenção onde o único objetivo é a aprendizagem significativa e efetiva."

Na entrevista que concedeu ao site Sentidos, a professora de educação especial fala, entre outras questões, sobre as causas da surdocegueira e de metodologias aplicadas ao surdocego e múltiplo deficiente sensorial tendo em vista o processo inclusivo.

Sempre trabalhou com alunos com deficiência?
Posso dizer que sempre tive o privilégio de trabalhar com pessoas de todos os tipos de deficiências. Na medida em que surgiam novos casos procurava subsídios necessários que pudessem me auxiliar quanto ao conhecimento de novas metodologias, novas técnicas e recursos capazes de se adequarem a necessidade específica de cada aluno. No decorrer da minha carreira pude me especializar e adquirir novos conhecimentos acerca da diversidade. Acreditava e continuo acreditando em novas possibilidades de intervenção onde o único objetivo é a aprendizagem significativa e efetiva.

Por que decidiu trabalhar nessa área?
Acredito que nasci com esse desejo no meu coração e estava escrito, e por mais difícil que foi chegar até aqui, jamais desisti ou pensei em deixar de acreditar no trabalho voltado para educação especial. Acredito que "todos" podem aprender independente de terem ou não condições ou possibilidades. Todos possuem habilidades que devem ser trabalhadas, buscando ou não, novas formas e\ou recursos adaptados.

O que é surdocegueira?
Existem várias definições condizentes. Seria pertinente esclarecer que a surdocegueira é uma deficiência única que apresenta a perda da audição e visão de tal forma que a combinação das duas deficiências impossibilita o uso dos sentidos de distância, cria necessidades especiais de comunicação, causa extrema dificuldade na conquista de metas educacionais, vocacionais, recreativas, sociais, para acessar informações e compreender o mundo que o cerca. Nesse sentido, temos vários autores tais como Writer, Freeman, Wheeler & Griffin, McInnes, dentre outros, que defendem a surdocegueira como única e não como a soma de dois comprometimentos sensoriais. Segundo o Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e Múltiplo Deficiente Sensorial embora a surdocegueira possua duas deficiências associadas - a surdez e a cegueira - não se trata da somatória de ambas mas uma deficiência única que apresenta características peculiares como graves perdas auditivas e visuais, levando quem a possui, ter formas específicas de comunicação. Cabe ressaltar que existem vários tipos de surdocegueira como cegueira congênita e surdez adquirida, surdez congênita e cegueira adquirida, cegueira e surdez congênita, cegueira e surdez adquirida, baixa visão com surdez congênita ou adquirida.

Quais são as causas dessa deficiência?
Antigamente, pensava-se que a principal causa da surdocegueira seria a síndrome da Rubéola Congênita. Hoje em dia, com a tecnologia mais avançada, sabe-se que as principais causas se relacionam com a prematuridade ou com várias anomalias, tais como: rubéola, síndromes (Down, Usher, Trissomia 13, entre outras), anomalias congênitas (associação de CHARGE, hidrocefalia, microcefalia, síndrome fetal alcoólica, abuso de drogas pela mãe, entre outras), prematuridade e disfunções pré-natais congênitas (SIDA, toxoplasmose, herpes, sífilis, rubéola, citomegalovírus, dentre outros) e causas pós-natais (asfixia, traumatismo craniano, encefalite, meningite, sarampo, caxumba, dentre outros). Há, no entanto, estudiosos que acreditam que a principal causa é ainda desconhecida.

É possível perceber que uma criança é surdocega logo ao nascer?
Logo após o nascimento de uma criança uma equipe médica se disponibiliza para averiguar o desenvolvimento e aspectos gerais da criança e especificamente aquela que é surdacega dispõe de características únicas, que resultam do efeito combinado das deficiências auditiva e visual. Ao nascer essa criança sentirá extremo desconforto demonstrando irritação e choro constante devido à possível falta desses sentidos. Contudo isso só poderá se confirmar através de um diagnóstico diferencial abrangendo diferentes tipos de exames como os laboratoriais, exames médicos (neurológico, visão, audição, físico), avaliações genéticas, dentre outros. Cabe ressaltar que se a criança já possui um histórico que sugestiona qualquer comprometimento e\ou deficiência os médicos estarão atentos a qualquer indício podendo assim orientar e encaminhar a família de forma adequada.

Como a criança surdocega reage às novas situações?
Segundo os autores Telford & Sawrey (1976), quando a visão e a audição estão gravemente comprometidas, os problemas relacionados à aprendizagem dos comportamentos socialmente aceitos e a adaptação ao meio se multiplicam. A falta dessas percepções e sentidos limita a criança surdocega na antecipação do que vai ocorrer a sua volta. Sua dificuldade na antecipação dos fatos faz com que cada experiência possa parecer nova e assustadora, como ser transportada de um lugar para o outro, sentir na boca a introdução de um alimento novo ou ser tocado repentinamente. Ainda como resultado da privação de sentidos (visão e audição), sua motivação na exploração do ambiente é proporcionalmente diminuída. Seu mundo se limita ao que por casualidade está ao alcance de sua mão e, sobretudo a si mesmo.

Quais são os recursos educacionais utilizados no desenvolvimento dessa criança?
Quando se nasce surdocego não se sabe o que o mundo apresenta, que existem formas, cores, números, diversidade de coisas, pode-se até nunca descobrir a "noção do eu". Afinal é o ato de aprender que nos distingue dos outros, portanto, há que se aproveitar cada momento para aprender e preparar as competências para o que a seguir virá. Para um surdocego há metas que se impõem e intervenções que devem ser realizadas e há que se desenvolver uma aprendizagem de maneira diferenciada, com metodologias específicas abrangendo e esgotando todas as formas passíveis de contribuição ao seu desenvolvimento global. Além dessas questões, é importante que a criança esteja motivada a participar de experiências externas, ainda que básicas, como alimentação, higiene, lazer, etc.


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