Desde que foi criada pela bailarina Celeste Dandeker, em 1991, a CandoCo - companhia inglesa de dança contemporânea - inclui em seu elenco bailarinos com e sem deficiência. Com o foco na dança e não na deficiência, no profissionalismo e não na terapia, a CandoCo incentiva entre os seus integrantes o movimento de altíssima qualidade, elevando a expectativa deles mesmos em relação às suas próprias capacidades.
Foi com esse objetivo que a CandoCo viajou o mundo, foi agraciada com os mais importantes prêmios, reconhecida pela imprensa, pelo público e pelos colegas nas áreas da dança e da educação. Com espetáculos criados por coreógrafos de renome internacional, ela prima por apresentações de qualidade artística elevada que inspiram platéias e expandem as fronteiras da dança.
Segundo o diretor artístico da CandoCo, Pedro Machado, o incentivo pela inclusão, a crença de que a dança é melhor quando se tem corpos diferentes e pessoas diversas são fatores que fazem parte do dia-a-dia da companhia, mas não existe um política específica quanto a isso. "A inclusão acontece de forma natural. É na pratica que descobrimos como trabalhar com pessoas diferentes", diz ele, que antes de ser diretor foi bailarino da companhia por dez anos.
Pedro conta que a visão da bailarina Celeste, que já dançava antes de sofrer o acidente que a deixou paraplégica, era criar uma companhia que fosse respeitada pelo seu trabalho no mundo da dança profissional. "Hoje, após 18 anos atuando nos palcos de teatros de vários países vimos que alcançamos esse objetivo."
A Companhia CandoCo foi formada em um centro de reabilitação para pessoas com lesão medular, em Londres. No início era a única atividade que não tinha caráter competitivo, apenas terapêutico. Com o passar do tempo foi ganhando caráter profissional e passou a ser reconhecida no mundo da dança.
Em geral, o grupo de bailarinos é formado por 8 integrantes com e sem deficiência. O contrato deles dura cerca de dois anos - tempo em que um determinado espetáculo permanece em cartaz. A companhia também tem um grupo formado por bailarinos jovens e adolescentes.
"Temos um programa de educação bem intenso. Além de realizar shows, também damos aulas. Estamos desenvolvendo uma disciplina em curso de mestrado para ensinar como trabalhar a dança. Também estamos com um projeto, de três anos, em cinco regiões da Inglaterra com o qual acompanhamos crianças, jovens e professores para ensinar técnicas da dança", conta Pedro.
A CandoCo, que no Brasil é patrocinada pela Fundação Nestlé, esteve se apresentando, no início deste mês, no Teatro Alfa em São Paulo, com o espetáculo de "The Perfect Human". Durante a semana em que a companhia esteve aqui os bailarinos também realizaram oficinas para professores em escolas públicas e associações que trabalham com e para pessoas com deficiência.