Sentidos - A inclusão social da pessoa com deficiência
9 de fevereiro de 2010
    Canais de conteúdo
Busca:
biblioteca boletim classificados fale conosco mural pergunte
TRADUÇÃO EM LIBRAS
Selecione o texto com o mouse e clique no selo de acessibilidade para obter a tradução em libras
REVISTA SENTIDOS
Clique aqui e
faça sua assinatura
Revista Sentidos - Edição 56
Clique aqui e conheça o Blog Sentidos
Talento mais matérias deste canal
Inserida em: 22/11/2004
Reportagem: Claudia Gisele
Guilherme da Rocha
Conheça a história de um dos idealizadores do Movimento SuperAção, que dia 4 promete parar a avenida Paulista para pedir acessibilidade.
Tamanho da fonte:
-A
+A

Semana passada, dia 19, a falta de acesso nas cidades foi uma das pautas tratadas do Programa do Jô, da Rede Globo. Luka, locutora da Rádio 89, foi ao programa contar sobre um vídeo-documentário que está produzindo. No vídeo ela se passa por uma cadeirante nas ruas de São Paulo. A idéia surgiu da amizade com algumas pessoas com deficiência, entre elas Guilherme da Rocha, 19 anos, que também conversou com Jô Soares durante o programa. Guilherme contou que havia ficado tetraplégico aos 16 anos, depois de um mergulho numa piscina rasa.
Nessa entrevista ao site Sentidos ele também conta sobre como surgiu a idéia de realizar uma manifestação para chamar a atenção da sociedade em relação à inclusão da pessoa com deficiência. Evento que acontecerá dia 4 de dezembro, na avenida Paulista (saiba mais no fim dessa entrevista). A rotina como cadeirante, os amIGos e a reabilitação são alguns dos temas tratados por Guilherme nessa entrevista.

Como foi seu processo de reabilitação na Rede Sarah?
Foi ótimo. O Sarah é um dos melhores hospitais do mundo, uma referência internacional e com excelentes profissionais. Lá é uma "escola de deficientes", onde eles te ensinam as melhores formas de se dar com a "nova forma de viver".

Hoje você se considera reabilitado?
Com certeza. Já retomei todas as minhas atividades que fazia antes de sofrer o acidente: trabalhar, estudar e me divertir. Só não voltei a tocar baixo, mas em compensação descobri o teatro, como uma enorme e excelente fonte de energia.

Você está no primeiro ano de Publicidade e Propaganda. Por que escolheu essa profissão e o que está achando do curso?
Maravilhoso. Eu sempre gostei dessa área. Criatividade! Criar coisas legais que atinjam as pessoas de alguma forma. Montar propagandas de produtos famosos e também montar eventos. Bom, pelo menos é isso que eu espero estar fazendo daqui 3 anos.

Você chegou a sentir medo ou receio de não se dar bem com a turma da faculdade ou de sofrer preconceito?
Não. Costumo dizer que muitos deficientes do Brasil não "mostram suas caras" por causa do preconceito interno. Uma pessoa que tem medo ou receio de entrar em uma sala de aula, ir ao shopping, enfim, sair de casa, é por que ela própria cria esse preconceito. A pessoa fica pensando _ai, como vai ser? Será que vão reparar em mim ou em minha cadeira? Eu, graças a Deus, não sofro desse "preconceito interno", pelo contrário, meto minha cara e vou até onde quiser. Inclusive, conheci e fiz muitos amIGos na minha faculdade.

Você sofreu a lesão aos 16 anos. Como foi para você passar por esse momento?
Meu lema é "Viver um dia de cada vez", "Curtir o momento, o agora". Sempre foi assim, antes mesmo da lesão. Quando sofri o acidente isso não mudou. Não vou negar: eu passei por uma fase triste, sim. Mas tenho uma família muito forte e unida, e muitos amIGos também, que logo me fizeram erguer a cabeça e retomar a vida!

Qual foi a importância de sua família nesse momento?
Total. A família e os verdadeiros amIGos são extremamente importantes na fase em que você tem uma lesão recente. Eu só tenho a agradecer a minha família e aos meus amIGos que me agüentam até hoje!

Você acha que sofrer uma lesão tão jovem contribuiu de alguma forma para seu amadurecimento. Ou você considera mais os aspectos negativos da questão, como o que você poderia estar fazendo se estivesse em outra situação.
Não. Aliás, acho que com 19 anos, sendo quase três de lesão, atingir o ponto de reabilitação que eu atingi é porque eu já era bem maduro com 16 anos, né? Rs...

Você diz que sua vida é super ativa e que faz coisas que não fazia antes do acidente. Como foi que as coisas foram acontecendo em sua vida: o teatro, os novos amIGos?
Bom, a Oficina dos Menestréis (grupo de teatro) eu conheci através da Carol e da Tábata, atrizes do grupo,e em conseqüência conheci toda aquela galerinha linda. Depois estudei com a Julie, idealizei o SuperAção com o Billy e com a Luka. Enfim, conheci tanta gente maravilhosa, que se eu não tivesse sofrido acidente, não teria conhecido.

Você comentou que chega a agradecer pelo o que aconteceu, pelo fato de ter conhecido pessoas maravilhosas. Explique isso melhor.
É como eu já disse. Se eu não tivesse sofrido o acidente não teria conhecido ninguém dos cadeirantes, não teria contato nenhum com o teatro, enfim, não teria conhecido tanta gente maravilhosa. E o principal: depois do acidente eu aprendi a valorizar muito uma coisa: a vida!

Com oito meses de lesão você resolveu nadar na mesma piscina que havia sofrido acidente. Porque se propôs esse desafio?
Bem, pensei comIGo: Se eu superar essa, o resto na minha vida vai ser fichinha!. E fui. Foi ótimo! Entrei com meu pai, mãe e irmão. Família unida sempre!

Como foi quando você percebeu que poderia viver bem e ser feliz, mesmo estando em uma cadeira de rodas?
A verdade é que eu já era feliz. Porque eu tenho uma família linda, amIGos maravilhosos. E eles sempre estiveram comIGo. E eu não podia ficar triste na companhia dessas pessoas. Portanto, sempre busco meus momentos felizes: sejam eles de pé ou em uma cadeira de rodas.

E sobre o Movimento SuperAção. Como surgiu a idéia?
Na verdade, sempre quis ser um revolucionário (risos). Bom, um dia eu estava conversando com o Billy, criticando a sociedade e também os "chumbados" que reclamam e não fazem nada. A gente conversou bastante sobre esse assunto. Passou um dia, nós encontramos a Luka (locutora da 89) em uma balada. Eu e o Billy retomamos o assunto e comentamos com ela. A Luka adorou e na hora entrou nesse movimento pela causa, que é muito justa!

Como será o evento do dia 4 de dezembro?
Será com o seguinte ideal: Mostrar que 15% da população sofre de algum tipo de deficiência.E a sociedade não está preparada para nos receber. E ao mesmo tempo, o próprio deficiente não sabe lhe dar com a situação.Uma passeata pacífica, partindo da praça Oswaldo Cruz até o vão do Masp, rumo a liberdade.

Pra você, o fato de não haver um número suficiente de locais adaptados é também por conta do comportamento do próprio deficiente, que não mostra sua cara nas ruas?
Sim, pode ser. As vezes as pessoas não se preocupam com a gente porque não conhecem ou nunca se relacionaram com algum portador de necessidades especiais. É nossa obrIGação sair nas ruas, reivindicar, usar o que já existe a nosso favor. Enfim, vamos SUPERAR e MOSTRAR NOSSA CARA!

Deixe uma mensagem .....
Compareçam no dia 4 de Dezembro na Av. Paulista, seja você andante, cadeirante, muletante, enfim, seja qual for sua necessidade. Mas compareça! Sua presença é muito importante, se realmente queremos mudar alguma coisa...A causa é justa. Mostre sua cara também........SuperAção! E não se esqueça....Dias 6,7,13 e 14 de dezembro, estará em cartaz a mais nova montagem da Oficina dos Menestréis: o Good Moorning Mixturéba! Onde se encontram atores cadeirantes, cegos e mais uma galera animadassa complentando essa Mixturéba!

Informações sobre a peça: (11) 5575-7472 ou pelo site www.oficinadosmenestreis.com.br
Informações sobre MovimentoSuperAção acesse :

enviar por e-mail enviar por e-mail
imprimir matéria imprimir matéria
© Copyright - Todos os direitos reservados
IES - Instituto Brasileiro de Empreendedorismo Social