O número 1 no ranking nacional de tênis adaptado, mesmo sem patrocínio, matém uma rotina diária de treinamento e promete fazer bonito no próximo Mundial de Tênis, em Brasília.
Há cinco anos, Carlos Jordan, de 35 anos, trocou a bola de basquete pela raquete de tênis. A escolha valeu a pena. Hoje, ele contabiliza uma participação nas Paraolimpíadas de Atenas e é o número 1 do Brasil no ranking de tênis em cadeira de rodas. Sua história com o tênis começou quando foi convidado a participar do Programa Inserir, um projeto de Brasília que é voltado para inclusão através do esporte.
"Entre um torneio e outro eu adquiria experiência e percebia que tinha chances de me tornar um grande jogador", afirma Jordan. Em 2003, o atleta intensificou sua rotina de treinamento e passou a se preparar para a disputa de uma vaga nas Paraolímpiadas de Atenas. Antes, conseguiu uma vaga como reserva na Seleção Brasileira, em um Mundial na Polônia. Em 2004, participou do circuito internacional de tênias adaptado, já como titular da Seleção, quando alcançou o 87º lugar no ranking mundial. Nessa época, participou de um mundial na Nova Zelânida e conquistou a melhor colocação do Brasil em mundiais - o que lhe rendeu o primeiro lugar no ranking nacional.
A participação em Atenas não lhe trouxe medalhas, mas a experiência o estimulou a renovar as energias. Hoje, Jordan treina diariamente e sonha em conseguir uma medalha paraolímpica em Pequim, em 2008. Até lá, pretende defender sua posição no ranking fazendo uma boa campanha nos próximos mundiais. Seu maior desafio será a falta de patrocínios. Em 2005, ele não disputou as etapas internacionais por falta de apoio e ficou fora do ranking mundial.
Quando começou a praticar esportes? Comecei em 1988, a convite de um amigo que já praticava o basquete em cadeira de rodas. Sempre fui envolvido com o esporte. Gostava de jogar futebol, fazia natação na época de colégio, mas relutava em procurar o paradesporto, pois eu tinha um pouco de preconceito.
Porque resolveu trocar o basquete pelo tênis?
Troquei o basquete pelo tênis em 2003, quando me foi feita uma proposta pelo Inserir. Eles queriam que eu tentasse uma vaga nas Paraolimpíadas de Atenas jogando tênis. Aceitei, pois estava desmotivado no basquete e sem nenhum objetivo. Encarei esta troca como um desafio e, graças a Deus, deu certo.
Você consegue se dedicar totalmente ao treinamento ou desenvolve outras atividades?
Sempre precisei do meu trabalho para poder manter o esporte. Mas, mesmo trabalhando consigo disputar torneios e ter horários de treinamentos. Com a criação da Bolsa Atleta, acredito que a situação do paraatleta amador terá uma significante melhora, mas ainda assim não dará a oportunidade de total dedicação ao paradesporto.
Como é sua rotina de treinamento?
Em pré-temporadas tenho treinos diários de duas horas de quadra mais duas horas de academia. Durante a temporada os treinos passam a ser três vezes por semana nas quadras e duas vez na academia.
Você tem apoio da família, de alguma instituição ou empresa para treinar?
Minha família sempre me apoiou, principalmente acreditando que eu poderia me tornar uma grande pessoa através do esporte. Hoje, conto com a estrutura do Projeto INSERIR para treinamentos e manutenção do material necessário para a prática do tênis. Nas etapas nacionais, tenho o apoio do Projeto no custeio das passagens e taxa de inscrição.
Quais são seus objetivos para o futuro?
Tenho objetivos para um futuro bem próximo. Teremos o Mundial de Tênis aqui no Brasil, em Brasília, em maio deste ano, e espero participar de algumas etapas internacionais para tornar meu jogo constante e ajudar o Brasil a fazer uma bela campanha. Em 2007, teremos o Parapan. Espero estar pronto para conquistar medalhas. Em 2008, tem as Paraolimpíadas de Pequim. Não vou querer apenas uma participação. Quero ter condições reais de jogar por uma medalha.