25 de outubro de 2014
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Evilásio Luiz Candido

"Para mim, a pintura significa liberdade. Sinto que por meio dela posso percorrer todos os caminhos sem medo. Ela é a grande oportunidade que Deus me deu", diz o pintor Evilásio Luiz Cândido, de 29 anos. Sentado em sua cadeira de rodas e com um pincel acoplado a um aparelho, preso em sua cabeça, Evilásio prova que com muita dedicação e força de vontade é possível alcançar o que se deseja. Por causa da paralisia cerebral, Evilásio tem pouco controle sobre os movimentos de seu corpo. Sua mobilidade é resultante de reflexos, os quais ele transforma em movimentos produtivos para exercer a arte de pintar.

Evilásio conta que descobriu o dom pela pintura, durante uma sessão com sua pedagoga. E há 15 anos ele tem a tinta e o papel como seus companheiros inseparáveis. Hoje, suas obras de artes são reproduzidas em diversos brindes como cartões, capas de agenda, calendário, marcador de livro, entre outros.

Dedicado e otimista, ele espera um dia poder terminar o ensino médio e cursar a faculdade de Administração de Empresas. Evilásio mora em São Paulo com a mãe e a irmã. Além de se dedicar á pintura também estuda francês e italiano. Nesta entrevista concedida ao site Sentidos, o artista fala da sua infância, de seus sonhos e trabalho.

Quando você descobriu o gosto pela pintura?
Eu já havia tido contato com a pintura, quando ainda estudava na AACD. Mas foi há 15 anos, durante uma sessão com a minha pedagoga que descobri o dom e o gosto pela arte de pintar.

Você já apresentou seus trabalhos em alguma exposição?
Já participei de várias exposições. Meus quadros já foram divulgados em revista, jornal, programa de televisão, workshop em feiras. Sempre procuro demonstrar o meu trabalho e a forma peculiar como o realizo. A maior e a mais importante exposição que já participei foi O Encontro, que aconteceu no Polo Cultural Casa da Fazenda, em 2004. Nesta, expus meus trabalhos em conjunto com meu Mestre, o Luca Vitali. A repercussão das minhas obras sempre é muito favorável. Ao final de cada exposição, o público costuma fazer elogios.Uma das experiências mais interessantes foi quando fiz uma gravação para um programa de televisão, na qual eu pintava sobre o vão do MASP na Av. Paulista.

Fale sobre sua linha de brindes?
Os brindes são a reprodução das minhas obras. Transformo minhas telas em cartões comemorativos, capa de agenda, calendários, marcadores de livros, e também pretendo expandir para a linha de utilitários como louça, toalhas, artigos de decoração etc. Minhas metas incluem ilustrações, reprodução de gravuras com tiragem limitada.



Onde você busca recursos para aperfeiçoar o seu trabalho?
Em mim mesmo. Vou à luta, não tenho medo dos obstáculos. Um vez por semana sou recebido na minha antiga creche NAIA -Núcleo Assistencial Irmão Alfredo -, onde conheço pessoas que, de algum modo, contribuem para o meu aperfeiçoamento como o meu mestre de pintura, Luca Vitali, minha professora de Francês Maria Lucia e a de Italiano, a Rita. Todos meus amigos. Sempre conheço pessoas que se simpatizam comigo e com o meu trabalho.

Você sempre estudou na AACD?
Freqüentei a AACD dos 9 meses até aos 13 anos, quando conclui a 4ª série do ensino fundamental. Não pude freqüentar escola regular e nem especial. A primeira, por não ter acesso e nem estrutura básica. Já a segunda, minha família não tinha condições financeiras para pagar. Em 1999 alguns professores do Ensino Supletivo Municipal ,vinham até o NAIA para me dar aulas, uma vez por semana. Mas foi com a ajuda de transporte voluntário que eu consegui concluir a 8ª série. Agora, pretendo cursar o ensino médio e a faculdade de Administração de Empresas. O que me parece ,por enquanto inviável, mas sei que conseguirei.

E com relação à inclusão das pessoas com deficiência na sociedade. Você acredita que já é uma realidade?
Ainda é muito precária. Sinto-me construtor de algo para o futuro. A inclusão está caminhando lentamente. Ainda estamos tropeçando na ignorância e no preconceito. As leis estão aí para serem cumpridas.

Você já sofreu algum tipo de preconceito?
O meu grau de deficiência faz com que as pessoas viagem pelo imaginário dos preconceitos. Apesar disso, não me sinto deficiente porque no meu caminho só encontro a vitória. O preconceito é um conteúdo do outro e não meu.

Quais são seus planos para o futuro?
Quero me profissionalizar como artista plástico e viver do meu trabalho. Quero ter condições de suprir todas as necessidades que minha deficiência exige: casa adaptada, plano de saúde, terapias, equipamentos, transporte, etc. Quero, continuamente, me aperfeiçoar, evoluir, amadurecer pessoal e profissionalmente. Quero mostrar minha arte e a forma como a executo pelo mundo a fora.

Gostaria de deixar alguma mensagem?
Para quem quer atingir objetivos na vida, não há barreira que o impeça. Agradeço a oportunidade de poder compartilhar minha forma de sentir, pensar e de ser com todos os leitores dessa importante publicação.

Mais informações sobre os trabalhos do artista podem ser obtidas pelo e-mail: evicandido@hotmail.com ou pelo telefone (11) 5561-5174


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