 |
| A seleção brasileira de futebol de 5, campeã do Parapan com a vitória sobre os argentinos por 1x0 na final. Agora, se prepara para os Jogos Paraolímpicos de Pequim, em 2008. |
|
O Brasil do Parapan 2007 fez o que a Seleção Brasileira de futebol (não adaptado) não conseguiu ao jogar em casa, 57 anos atrás: vencer. Enquanto ano após ano nos lembramos, com amargo na boca, da derrota por 2 a 1 para o Uruguai na Copa do Mundo de 1950, de virada, desta vez o país não deixou escapar a vantagem de atuar em seu território. A vitória, por goleada, no
quadro geral de medalhas dos Jogos Parapan-Americanos do Rio de Janeiro premiou o esforço dos atletas e lavou a alma da torcida presente à Vila do Pan - construída especialmente para abrigar os Jogos Pan-Americanos e, pela primeira vez quase simultaneamente, um Parapan. A diferença de realização dos dois eventos foi de apenas duas semanas.
O país superou as expectativas e ficou em primeiro lugar na classificação geral, conquistando 83 medalhas de ouro, 68 de prata e 77 de bronze. O Canadá ficou em segundo, com 49 de ouro e 116 medalhas a menos no total. Os Estados Unidos ficaram em terceiro, com 37 medalhas de ouro (117 no total), o México em quarto, com o mesmo número de medalhas de ouro que os EUA mas com uma de prata a menos, e Cuba em quinto, com 28 ouros e 60 medalhas no total.
No esporte não adaptado, o Brasil foi o terceiro colocado nos Jogos Pan-Americanos do Rio, com 54 medalhas de ouro (161 no total), atrás de Cuba, com 59 de ouro, e Estados Unidos, país vencedor do Pan com 97 ouros.
 |
Pódio do judô masculino para atletas
com mais de 100 kg.
Medalha de ouro para o brasileiro
Antônio Tenório Silva, prata para
o cubano Juan Bermudez e o bronze
com o americano Myles Porter |
|
O Brasil dos atletas com deficiência superou a performance dos brasileiros sem deficiência. E, ainda, conquistou 19 medalhas a mais que os americanos não deficientes. Não é pouca coisa.
A vitória foi construída graças à combinação de três fatores: candidatos certos a medalhas de ouro, como o nadador Clodoaldo Silva, confirmaram o favoritismo em suas categorias; novatos em Parapan como o também nadador Daniel Dias terminaram a competição entre as Américas e o Caribe consagrados como novas realidades do paradesporto mundial; tanto americanos como canadenses não trouxeram para o Brasil todas as suas estrelas paradesportivas; finalmente, o México, que ficou em primeiro lugar nos dois parapans anteriores - em que Canadá e Estados Unidos participaram com suas equipes B - caiu de rendimento.
Além da vitória consagradora dos atletas braslleiros, o país comemora a confirmação do potencial de novos nomes do paradesporto. Daniel Dias, de 19 anos, foi o maior medalhista do Parapan, conquistado 8 medalhas de ouro. Ficou uma à frente de Clodoaldo Silva, que ganhou 7 medalhas de ouro e 1 de prata, e é o maior nome do esporte adaptado do país.
 |
O nadador brasileiro Daniel Dias
que conquistou o maior número de
medalhas de ouro: oito |
|
Não foi surpresa, contudo, o fato de a natação e o atletismo terem sido as duas modalidades que garantiram a vitória do Brasil no Parapan 2007. Das piscinas resultaram nada menos de 39 medalhas de ouro para o país - 107, somando as de prata e bronze. E do atletismo, 25 medalhas de ouro (72 no total). Para efeito de comparação, se eliminássemos a participação dos nadadores e dos medalhistas do atletismo o Brasil cairia para quinto lugar na classificação geral, com 19 medalhas de ouro e um total de 49 pódios.
O excelente resultado nos Jogos Parapan-Americanos do Rio não deve, contudo, encobrir as limitações das políticas públicas e das ações dos governos e do setor privado em favor das pessoas com deficiência. Cerca de 27 milhões de brasileiros, os 14,5% da população que possuem deficiência e mobilidade reduzida, continuam aguardando medidas concretas de promoção da inclusão social. No Parapan, nossos heróicos atletas foram a voz deste Brasil que não se cansa de demonstrar sua eficiência, capacidade de superação e de realização um dia após o outro. E que continua à espera de reconhecimento.
LEIA TAMBÉM
Daniel Dias: nova fera da natação
O tubarão está faminto
Campeão do halterofilismo fala sobre família e carreira
Brasileiro conquista ouro no encerramento do judô
Parapan não atenua más condições de acesso no Rio
Oficina de reparos
Aula de inclusão nas platéias do Parapan
Menor delegação tem um atleta
Atletas do Parapan passam no antidoping